
Não que sejamos um país de 3ºMundo. Quase que já o fomos antes de entrarmos na EU. Apercebi-me que Portugal não está assim tão mal como pensamos.
Afinal de contas Portugal nunca foi de ninguém, sempre fomos de nós próprios. Pelo contrario! Sempre tivemos outros países, éramos os soberanos.
Nunca fomos terrificamente afectados pelas guerras. Podemos ter passado fome mas nunca tivemos cidades destruídas a 96% como por exemplo Dortmund.
Entrámos na EU em 1 de Janeiro de 1986 o que nos deu um confortável espaço para criar e desenvolver com o dinheiro alheio. Em 1986 tínhamos 200km de auto-estrada e hoje, 20anos depois, temos 2400km.
Estamos diferentes, mais dinâmicos e estamos realmente em todo o lado. Toda a gente sabe qualquer coisa sobre Portugal.
Sim, é totalmente verdade que quando falo com alguém a primeira reacção é “Que giro! Eu sei dizer isto em espanhol!” e nunca em português. O nosso pobre Camões não foi tão convincente quanto o Cervantes.
O Balázs – tal como já vos disse proveniente de Budapeste, a capital da Hungria – disse-me que já ouviu várias vezes a comparação da Hungria de hoje a Portugal à 20anos. Eles estão na EU desde 2004. Temos que dar tempo ao tempo. Os tempos são outros e em 10 anos eles estarão como nós estamos hoje (ou melhor).
O que está mal? Entre muita coisa que podemos melhorar está sem dúvida a saúde. Este post é directamente relacionado com o estado da Saúde em Portugal.
As fotografias que estão a ver foram tiradas ontem. Fui com a Isa ao hospital de Dortmund porque temos de fazer uma intervenção no jardim para uma das nossas disciplinas. Antes de irmos ao jardim decidimos vê-lo primeiro de cima pelo que entramos no Hospital e fomos ao último andar espreitar.
1ºdiferença: NINGUÉM, nem viva alma, nos chamou a atenção por entrarmos por ali a dentro. Nenhum segurança de barriga com o 8ºano de escolaridade incompleto armado em PSP falou com autoridade connosco e circulámos por todos os blocos: oncologia, pediatria, urgências, queimados, etc.
2ºdiferença: vi muitos médicos e muitos enfermeiros, todos eles (quase de certeza) alemães. No Hospital Amadora-Sintra (a aberração do Homem) os médicos são maioritariamente estrangeiros, tal como os enfermeiros. Espanhóis, africanos (em geral), indianos… têm de tudo. Não, não estou a pôr em questão as suas capacidades. Estou exactamente a fazer o inverso, a colocar as nossas capacidades em questão. Porque é que não são todos (ou quase) portugueses? O que é que está errado? Começará o problema na entrada para a faculdade? As médias elitistas de 18,5val. para ser SR Doutor?... Desculpem-me, não consigo falar mais sobre este assunto, temo que o post fique demasiado grande.
3ºdiferença: o Hospital de Dortmund tem um refeitório. Vejam as fotos do refeitório do Hospital…


4ºdiferença: as salas de espera estão arrumadas, limpas, têm mobiliário confortável, muito fashion e acima de tudo estão vazias. Sim, leram bem, praticamente vazias! Aquilo que se passa é que o tempo de espera é inexistente ou muito pouco.

5ºdiferença: existem cadeiras de rodas como carrinhos de supermercado. Colocamos uma moeda de 2€ e temos uma cadeira de rodas ao nosso dispor. Não precisamos de andar a choramingar por uma “Oh senhora enfermeira, por favor…” e ninguém nos julga “Ah, você não precisa de cadeira de rodas, está ai para as curvas!”. No fim temos de novo os nossos 2€, tal como no supermercado.

6ºdiferença: observem bem o fabuloso jardinzinho do Hospital… Claro que não poderia deixar de viver o meu querido Outono… aqui vão umas fotografias minhas com o meu Outono. (sim, aqui existe MESMO Outono… e é perfeito. O Outono mais lindo que já passei em toda a minha vida).




Beijinhos a todos os portugueses e portuguesas…